segunda-feira, 6 de abril de 2026

POR QUE OS PADRES E AS FREIRAS NAO CASAM?

  

Padre Fábio de Melo no momentos da transubstanciação
 

Comparada aos dias de hoje, a sociedade feudal é reconhecida por uma mobilidade social bastante restrita. Em outras palavras, isso quer dizer que o indivíduo pertencente a uma determinada ordem acabaria se mantendo nela até o fim de sua vida. Dividia em três diferentes nichos, a sociedade dessa época está genericamente repartida entre clero, nobreza e servos. Do ponto de vista cultural, a estabilidade desse modelo de organização pode ser compreendida através do forte sentimento religioso da época. Segundo a pesquisa de historiadores do quilate de Georges Duby, a organização social da Idade Média era encarada como um desígnio divino que deveria ser passivamente seguido por todos os cristãos. Ir contra as desigualdades e a exploração dessa época significava afrontar uma harmonia proveniente dos céus.

O clero ocupava o topo dessa hierarquia social. Entre os fins da Antiguidade e início da Idade Média, a Igreja estruturou um conjunto de normas que permitiu a disseminação do cristianismo por todo o mundo europeu. Além disso, os membros dessa ordem tinham grande influência entre os grandes proprietários e reis desse período. Ao longo do tempo, a própria instituição acumulou terras e conhecimento em uma época em que a leitura e a escrita era privilégio de poucos.

No mundo medieval, o clero estabeleceu um processo de alargamento da sua influência entre as populações europeias. Por meio de uma organização centralizada e a determinação de seus dogmas, a Igreja Católica logo se difundiu pelos quatro cantos da Europa instituindo não apenas uma opção religiosa, mas a capacidade de orientar o comportamento de milhares de pessoas.  Progressivamente, a consolidação de uma leitura religiosa do mundo acabou concedendo aos membros da Igreja a oportunidade de influir em vários aspectos da população medieval. O temor à figura divina, o desprezo pela vida terrena e a busca pela salvação espiritual foram se transformando em questões de natureza primordial. Além disso, lembrando que boa parte da população era iletrada, a imagem de santos e a disseminação de relíquias foram importantes para que o cristianismo ganhasse força. Sendo detentores de conhecimento e influindo no comportamento da época, a Igreja acabou assumindo papéis que extrapolavam a esfera religiosa. Ao longo do tempo, muitos fiéis deixavam parte de suas propriedades como sinal de devoção cristã. Além disso, a opinião de vários clérigos passou a influir na decisão dos reis e grandes proprietários de terra do período.

Durante toda a Idade Média (476-1491) a Igreja era detentora do saber e do conhecimento. Nesse quadro existia o Teocentrismo, filosofia ou doutrina que considera Deus o fundamento de toda a ordem no mundo. A própria organização da sociedade medieval (dividida em Clero, Nobres e Servos) era um reflexo da chamada Santíssima Trindade. Além de se destacar pela sua presença no campo das ideias, a Igreja também alcançou grande poder material. Durante toda a Idade Média ela passou a controlar grande parte dos territórios feudais (num contexto em que terra era sinônimo de riqueza!), se transformando em importante chave na manutenção e nas decisões do poder nobiliárquico.

O Historiador Leo Huberman, em sua obra História da Riqueza do Homem afirma:

 “Enquanto os nobres dividiam suas propriedades, a fim de atrair simpatizantes, a Igreja adquiria mais e mais terras. Uma das razões por que se proibia o casamento aos padres era simplesmente porque os chefes da Igreja não desejavam perder quaisquer terras da Igreja mediante herança aos filhos de seus funcionários”.

 Assim a Igreja Católica adota o celibato dos padres e freiras como um importante mecanismo de conservação do seu patrimônio. Ao contrário da nobreza – que tinha seus bens repartidos por heranças, casamentos, lutas pela posse da terra, etc. - a Igreja só acumulava riquezas, já que os bens não pertenciam aos religiosos, mas a instituição em si. Durante o papado de Gregório VII, a partir de 1537 – 20 anos depois da Reforma Protestante! – o celibato torna-se obrigatório para o clero, onde um sacerdote romano que se casasse incorria na excomunhão e ficava impedido de todas as funções espirituais. Essa nova característica da Igreja acabou promovendo uma divisão entre os membros integrantes da instituição. Em seu topo, observamos o clero regular como responsável pela discussão dos dogmas, a interferência em assuntos políticos e a administração dos bens acumulados pela Santa Sé. Logo abaixo, o clero secular era responsável por disseminar as medidas tomadas pelo corpo diretivo da Igreja e estabelecer o contato direto com os cristãos. Apesar de tanto poder, não podemos acreditar que a Igreja simplesmente se transformara em uma instituição inquestionável. Ao longo de toda a Idade Média, podemos observar a existência de situações de conflito entre membros do clérigo secular e os grandes senhores feudais. Além disso, os movimentos heréticos também atestavam que a crença nos dogmas católicos nunca fora absoluta.

A religiosidade era muito forte na Idade Média, e o cristianismo, por meio da Igreja Católica, era a única religião existente na Europa Ocidental. Isso fez com que a Igreja Medieval exercesse importantes papéis. Nesse sentido, o principal papel que a Igreja Medieval tinha era um papel moral, sendo a mediadora entre o divino e os seres humanos. Toda a vida cotidiana do mundo medieval girava em torno da Igreja, desde o nascimento da pessoa, quando era batizada, até a sua morte, quando recebia extrema-unção, e, dependendo das suas posses, missas poderiam ser realizadas em memória do falecido.

A Igreja Medieval também tinha importante papel na educação. Ela manteve diversas instituições de ensino durante a Idade Média, e boa parte dos professores do período eram membros do clero. Suas universidades e mosteiros possuíam a maior parte dos livros do período greco-romano. Além disso, a Igreja Medieval tinha grande papel na saúde e na assistência social, possuindo diversos orfanatos, asilos, leprosários e diversas outras instituições que faziam caridade, além de manter a maior parte dos hospitais do período e universidades, onde pesquisas eram realizadas.

 Poder da Igreja Medieval

 O maior poder da Igreja Medieval era o espiritual, a maior parte das pessoas do período temiam mais os tormentos do inferno do que os tormentos da vida ou mesmo a própria morte. A Igreja Católica era considerada a única que podia interpretar a Bíblia, sendo considerada, dessa forma, a própria a representante de Deus na Terra. Mesmo os reis se submetiam à autoridade do papa e da Igreja.

Outro grande poder da Igreja Medieval era o econômico. A Igreja Católica era responsável por recolher e administrar o dízimo, imposto que correspondia a 10% dos rendimentos de pessoas e instituições. Em diversos lugares da Europa o próprio reino pagava o dízimo para a Igreja. A Igreja Católica também possuía muitos terrenos e propriedades, como castelos e cidadelas. Estas eram doadas à Igreja, deixadas como herança em testamento ou adquiridas através da compra. A Igreja Medieval também tinha grande poder político, muitas vezes maior do que dos reis do período.


TEOCENTRISMO - CONTEUDO

  

   

Teocentrismo – A palavra vem do do grego e significa: theos "Deus" e kentron "centro". Literalmente "Deus como centro do mundo". È a doutrina onde Deus e seus ensinamentos estão no fundamento da sociedade. Esse pensamento vigorou durante a Idade Média. O Teocentrismo Medieval representou a relação entre o divino (religião) e os seres humanos, onde haveria a existência de uma única verdade, inspirada em Cristo e nos preceitos da Bíblia. Dessa maneira, o catolicismo foi influenciando todas as estruturas da sociedade. Desde a política, quando se defendia que o poder dos reis vinha de Deus, até ao calendário social de festas e feriados, passando pela economia. Segundo o teocentrismo, o ser humano, para se realizar, deve se submeter à vontade divina, mesmo que isso vá contra os seus desejos. Um exemplo seria a guerra que foi submetida a uma série de regras, como a proibição de lutar aos domingos e dias santos. Também a economia se vê afetada pelo pensamento teocêntrico na medida que o trabalho é organizado de acordo com o preceitos católicos. A usura (lucro excessivo), por exemplo, era condenada, assim como o empréstimo a juros.

 O Teocentrismo: Na Idade Média 

 O teocentrismo vigorou fortemente em diversos períodos da história. Porém, podemos afirmar que a Idade Média é a fase que o utilizou com maior ênfase, impactando diversos aspectos da sociedade. o Teocentrismo influenciou na Sociedade Estamental ou de Estados que representa a estrutura social  dividida nos estamentos (grupos sociais), onde quase não existe mobilidade social, ou seja, a posição do indivíduo na sociedade dependerá de sua origem familiar e da ideia de que "Deus assim a estabeleceu", por exemplo: nasceu servo, morrerá servo porque Deus quis que aquela pessoa nascesse servo. o mesmo acontecia com o nobre: "Ele é nobre porque Deus quis que ele fosse nobre".).

 Em resumo, o teocentrismo foi o responsável pela atribuição de um imenso poder às instituições da Igreja Católica durante a Idade Média. Dessa maneira, não é de se surpreender que o catolicismo estivesse envolvido em tantos acontecimentos do período.

O GEOCENTRISMO

 O geocentrismo é uma teoria que defendia que o planeta Terra está posicionado no centro do Universo. De acordo com esse modelo, a Lua, o Sol e os demais corpos celestes giravam ao redor da Terra em círculos concêntricos. A teoria do geocentrismo foi concebida ainda na Grécia Antiga, mas teve Cláudio Ptolomeu como o seu principal expoente. O geocentrismo foi a teoria mais aceita para explicar o ordenamento do Universo até, pelo menos, o século XVI, quando ganhou força o heliocentrismo.

 Resumo sobre geocentrismo


    O geocentrismo foi uma teoria que dizia que a Terra ficava no centro do Universo e que todos os astros e estrelas — inclusive o Sol — a orbitavam. Era debatido por pensadores da Grécia Antiga, como Aristóteles e Eudoxo de Cnido. O astrônomo, matemático e geógrafo Cláudio Ptomoleu aperfeiçoou o modelo geocêntrico, que, por essa razão, é conhecido também como modelo ptolomaico.   Foi um modelo amplamente aceito por aproximadamente 1500 anos, tendo sido incorporado, inclusive, pela Igreja Católica.

O que dizia o geocentrismo?

Chamado também de modelo ptolomaico, o modelo teórico do geocentrismo defendia que o planeta Terra estava posicionado no centro do Universo e que todos os astros e estrelas, inclusive o Sol, o orbitavam. Para além do posicionamento da Terra, o geocentrismo estabelecia que o planeta era estacionário, isto é, que ele não realizava nenhum tipo de movimento: nem em torno de seu próprio eixo, nem em torno do Sol. Outro ponto abordado pelo modelo geocêntrico era o de que os astros se distribuíam sobre nove esferas concêntricas e se moviam em velocidade uniforme. Da esfera mais próxima da Terra para a mais distante, a posição dos planetas, satélites e estrelas seria a seguinte, de acordo com o geocentrismo: Lua; Mercúrio; Vênus; Sol; Marte; Júpiter; Saturno. A esfera externa ao planeta Saturno seria aquela em que as demais estrelas do Universo estavam localizadas, movendo-se a uma velocidade muito menor do que a Terra e os demais planetas e corpos celestes. Por cerca de 1500 anos, essa foi a principal teoria aceita para explicar o ordenamento do cosmos e a dinâmica entre os corpos celestes. Foi somente no século XVI que a chamada Revolução Copernicana transformou a maneira de se compreender o Universo com o advento do heliocentrismo.

 Diferenças entre geocentrismo e heliocentrismo

                 Ilustração representando a diferença entre o geocentrismo e o heliocentrismo.

 Diferentemente do geocentrismo, o heliocentrismo estabelece que o Sol está no centro do Universo.

POR QUE OS PADRES E AS FREIRAS NAO CASAM?

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